Importantes espaços democráticos, as conferências devem garantir a participação social e monitorar e avaliar o cumprimento dos planos de educação

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Crianças e adolescentes apresentam suas propostas na plenária final da etapa municipal de São Paulo da Conae 2018, que ocorreu no dia 28 de maio de 2017 (Créditos: Stephanie Kim Abe/Ação Educativa)

Dentre as muitas conquistas do Plano Nacional de Educação – PNE (Lei 13.005/14), está a realização das conferências nacionais de educação. Essas conferências têm por objetivo ser um espaço democrático onde a sociedade civil pode falar e ser ouvida sobre como a Educação brasileira pode melhorar, de forma a avaliar a execução e acompanhar o monitoramento do PNE. Além disso, as conferências subsidiam a elaboração do Plano Nacional para o decênio subsequente.

O atual PNE foi fruto desse processo: “a Conferência Nacional de Educação (Conae) 2010 aprovou as bases para o PNE. Antes disso, tivemos a Coneb (Conferência Nacional da Educação Básica), em 2008, mas que não envolvia o Ensino Superior. Em 2014, o PNE já havia sido aprovado quando ocorreu a Conae, e por isso o tema da Conae 2014 foi como é que a gente implementaria esse plano que foi aprovado”, explica Denise Carreira, coordenadora executiva da ONG Ação Educativa.

Como instituído no art. 6º do PNE, devem acontecer “pelo menos duas conferências nacionais de educação até o final do decênio, precedidas de conferências distrital, municipais e estaduais, articuladas e coordenadas pelo Fórum Nacional de Educação, instituído nesta Lei, no âmbito do Ministério da Educação”. Assim, a 3ª Conae deveria ocorrer em 2018, sendo que todas estas atividades que a precedem ocorreriam ainda em 2017.

Como planejar as conferências municipais de educação

Com a contribuição de leitores e leitoras em nossa página no facebook, no post #DeOlhoResponde dúvidas sobre a #Conae 2018, o De Olho nos Planos reuniu dúvidas sobre o planejamento e execução dos processos da conferência de educação e consultou integrantes de Fóruns e especialistas para organizar um passo a passo de como planejar esses importantes espaços democráticos:

Essa é uma atribuição dos fóruns municipais de educação. O Fórum deve ser um órgão permanente, representativo e diverso, garantindo, em sua composição, a participação de todas e todos os(as) interessados(as), como representantes do Poder Público, de sindicatos, movimentos sociais e redes da sociedade civil, familiares, estudantes e juventude, universidades, Conselhos de Educação, comunidade escolar e de áreas diversas (assistência social, saúde, cultura e meio ambiente).

Naqueles municípios onde ainda não foram constituídos fóruns de educação, o ideal é que seja articulada uma Comissão Organizadora da Conferência municipal, composta por representantes dos e das gestores(as), de profissionais da educação, de estudantes, de pais, da Secretaria, do Conselho, de movimentos sociais etc. Essa articulação pode ser feita com a ajuda do Fórum Estadual de Educação e pode servir de base para a criação futura do Fórum Municipal de Educação.

Veja mais dicas de como criar um Fórum Municipal de Educação aqui

O Fórum Nacional de Educação (FNE) disponibiliza documentos que servem de base para orientar a realização das etapas municipais, estaduais e distritais: é o Documento-Referência*, o Regimento Interno e o documento de orientações. Os fóruns municipais podem usar o regimento interno da Conferência Nacional como modelo para criar o regimento de sua etapa municipal.

Para melhor organizar os trabalhos, distribuir as tarefas e definir responsabilidades, o FME pode criar comissões: de sistematização, monitoramento e avaliação, e de articulação, mobilização e infraestrutura, por exemplo. A primeira tem como atribuições buscar e aferir dados, analisar como as metas do Plano Municipal de Educação estão sendo implementadas, e pensar em ferramentas de monitoramento, enquanto a segunda pode se debruçar sobre as questões organizacionais (decidir datas, pensar na divulgação, organizar o espaço e a recepção dos e das participantes, garantir o coffe break, imprimir os materiais etc).

Como nesta edição o MEC não disponibilizou orçamento para a realização da Conae 2018, os fóruns podem articular o financiamento para a realização de sua etapa municipal com as secretarias municipais de educação. Na capital paulista, por exemplo, o FME se planejou para conseguir uma verba da Secretaria. “Prevendo que nessa Conae a vir verba do governo federal poderia não vir, nós do Fórum Municipal garantimos, junto com a Secretaria, uma verba de R$ 936 mil no orçamento”, disse Kézia Alves, representante do Conselho de Representantes de Conselhos Escolares (CRECE) e coordenadora do Fórum Municipal de Educação de São Paulo (SP).

*O documento aqui citado é aquele aprovado pelo pleno do FNE em março, antes de ter sua composição modificada pela Portaria MEC nº 577/2017, de 26 de abril de 2017. 

A importância dos dados para o monitoramento

Ainda que o Documento Referência seja a base para as discussões realizadas nas etapas municipais, estaduais e distritais da Conae, é importante também que cada município e estado realize o monitoramento e a avaliação do cumprimento das metas do seu plano. É o que defende Sumika Freitas, representante do Fórum de Educação Infantil no Fórum Municipal de Educação de Vitória (ES):

“O município e o estado tem que incluir o que tem feito em cada meta. Não podemos perder isso de vista. Essa avaliação é importante porque é política de estado. É orientação para o município, para o andamento de suas políticas. O Documento Referência tem princípios basilares para a Educação de qualidade que lutamos, a garantia do direito à Educação. Tem a nossa concepção de financiamento, do Custo-Aluno Qualidade (CAQ); a concepção de formação de professores; o que pensamos de avaliação de sistemas; o que pautamos em relação à Base Nacional Curricular Comum. Todos amarrados com a Constituição Federal, com a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e com a Lei do PNE. Mas cada espaço precisa entender o seu lugar e acompanhar as suas ações locais. Os municípios estão buscando como os seus dados de monitoramento?”. 

Todos e todas que estiverem interessados em participar dos debates sobre a educação do município, estado e do país. Estudantes, crianças e adolescentes, gestores e gestoras de educação, pais e familiares, comunidade escolar, professores(as), trabalhadores(as) da educação, integrantes de Conselho Escolar, Conselho de Educação, Conselho de Alimentação e transporte, movimentos sociais, sindicatos etc.

“Nós temos o desafio de renovar as pessoas que participam desse processo, trazer mais gente, para que não tenhamos somente um espaço dos e das militantes, que já estão há muitos anos nesse cenário. Temos que garantir a renovação geracional, trazer outras pessoas para essa roda, que tenham outros olhares e outras opiniões. A participação popular é o nosso desafio”, diz Denise Carreira, coordenadora executiva da ONG Ação Educativa. 

Garantindo a participação de crianças e adolescentes

Na capital paulista, o Fórum Municipal de Educação (FME-SP) fez questão de garantir que as crianças e adolescentes tivessem uma sala específica para realizar debates e discussões durante as regionais (que ocorreram nos dias 5 e 6 de maio) e a etapa municipal da Conae 2018 (nos dias 26, 27 e 28 de maio). A coordenadora do FME-SP Kézia Alves conta sobre a importância desse movimento:

“Como que uma conferência de educação, que parte do princípio de que Educação é para o estudante, não prevê uma participação efetiva deles? Ou mesmo dos conselhos de escola? Afinal, são os grêmios e o próprio conselho a instância de participação, de decisão que a criança tem dentro da escola, certo? Desde 2010, nós, do segmento da família do Conselho Regional de Representantes dos Conselhos de Escola (Crece), percebemos a incoerência que é preparar uma Conae sem prever a participação efetiva das crianças. Este ano, como estamos na coordenação do Fórum, conseguimos levar essa discussão para dentro do órgão, sensibilizando as entidades e conseguindo fazer com que tivéssemos garantido o espaço de participação das crianças e adolescentes. Nem todas as regionais aderiram, e algumas crianças participaram, outras não. Por conta da nossa cultura também, nós temos o problema de incentivo e da participação”.

Saiba mais sobre como foi a participação das crianças e dos adolescentes na regional da etapa municipal de São Paulo da Conae 2018 aqui

O decreto de 9 de maio de 2016, que convocou a Conae 2018, estabelecia que as etapas municipais deveriam ocorrer no primeiro semestre de 2017, e as estaduais e distritais no segundo semestre de 2017.

O novo decreto de convocação da 3ª Conae, de 26 de abril de 2017, porém, mudou o calendário das conferências. De acordo com ele, as conferências municipais ou intermunicipais podem ser realizadas até o segundo semestre de 2017, enquanto as estaduais e distrital têm como prazo o segundo semestre de 2018.

“Nós defendemos seguir o calendário do decreto do ano passado [9 de maio de 2016], mesmo porque esse calendário foi referendado pelo governo legítimo, pelo Fórum legítimo”, acredita Kézia Alves, coordenadora do FME-SP. 

Quanto mais divulgação, melhor. Por isso, para potencializar essas ações, vale dividir as tarefas, para que cada pessoa da comissão responsável pela organização possa focar em diferentes meios e lugares para impulsionar a divulgação. A Secretaria Municipal de Educação pode ficar responsável por divulgar nas creches, escolas e outros equipamentos públicos, além de fazer chamamentos pelo site da prefeitura. Integrantes dos movimentos e universidades podem fazer o esforço de divulgar a conferência em seus grupos de email, redes sociais e locais de trabalho. Também vale fazer espalhar cartazes pela cidade, e utilizar as redes locais de televisão e rádio, pensando sempre em como atingir diferentes públicos, como explica Cristiane Parisoto, coordenadora-geral do Fórum Municipal de Educação de Ipê (RS):

“Eu quase nunca escuto a emissora de rádio por aqui, então pra mim não era um veículo que eu pensava em fazer divulgação. Mas, recentemente, os agricultores foram chamados para as mobilizações por conta da reforma da previdência dessa forma, e eles responderam. Tem muito aluno do interior também, que talvez os pais não acessem a internet. Então o rádio pode ser um veículo que podemos usar para buscar essas pessoas”. 

No geral, as conferências seguem uma mesma programação, como indicado no Regimento Interno da 3ª Conae: deve haver uma solenidade de abertura, apresentações culturais, um painel temático, plenária de aprovação do regimento interno, plenárias dos oito eixos do Documento Referência e plenária final.

O painel temático pode contar com um(a) palestrante convidado(a), que possa dar um panorama do cenário educacional nacional e/ou local e que traga subsídios e força para o início do processo de discussão da Conferência. Nas plenárias dos eixos, os(as) participantes escolhem qual eixo do Documento Referência mais os(as) interessa, e são nessas plenárias que eles vão realizar a discussão e votação dos destaques e encaminhamentos das deliberações para a plenária final. A coordenação das plenárias devem ser exercidas por membros do FME ou da Comissão Organizadora.

Também é possível realizar conferências livres ou pré-conferências. No caso de Santo André (SP), por exemplo, como se decidiu pela realização de uma Conferência Regional de Educação do Grande ABC (nos dias 2 e 3 de junho), a cidade acabou realizando só uma reunião aberta do FME, para retirar os(as) delegados(as) que irão representar o município na Regional.

É preciso também planejar a organização dos espaços e tempos da Conferência de Educação (credenciamento, intervalos, plenárias etc) e na oferta de lanches, transporte, almoço etc. Tudo isso com a perspectiva de garantir que mais gente participe da Conferência. 

Confira os 8 eixos da Conae 2018*

EIXO I – O PNE na articulação do SNE: instituição, democratização, cooperação federativa, regime de colaboração, avaliação e regulação da educação;
EIXO II – Planos decenais e SNE: qualidade, avaliação e regulação das políticas educacionais;
EIXO III – Planos decenais, SNE e gestão democrática: participação popular e controle social;
EIXO IV – Planos decenais, SNE e democratização da Educação: acesso, permanência e gestão;
EIXO V – Planos decenais, SNE, Educação e diversidade: democratização, direitos humanos, justiça social e inclusão;
EIXO VI – Planos decenais, SNE e políticas intersetoriais de desenvolvimento e Educação: cultura, ciência, trabalho, meio ambiente, saúde, tecnologia e inovação;
EIXO VII – Planos decenais, SNE e valorização dos profissionais da Educação: formação, carreira, remuneração e condições de trabalho e saúde;
EIXO VIII – Planos decenais, SNE e financiamento da educação: gestão, transparência e controle social.

*Esses são os eixos de acordo com o Documento-Referência aprovado em março de 2017, antes da recomposição do FNE pela Portaria MEC de 26 de abril de 2017.

As contribuições e propostas aprovadas nas plenárias de eixo devem ser sistematizadas, aprovadas pela plenária final e encaminhadas ao Fórum Estadual de Educação, para que sirvam de subsídio nas discussões das conferências estaduais.

A sistematização das emendas no Documento Referência deveria ser feita através de um sistema de monitoria e sistematização, que não foi disponibilizado pelo FNE por falta do orçamento previsto pelo MEC. Isso prejudica o processo das etapas anteriores à Conae 2018, que devem realizar essas inclusões de forma manual.

Além dessas emendas, das conferências municipais também resulta a escolha dos(as) delegados(as), que são as pessoas que vão representar os diferentes segmentos (estudantes, professores(as), pais e mães, e gestores(as), conselheiros(as) de educação da Educação Básica, Educação Profissional e Educação Superior) e setores (movimentos sociais de afirmação da diversidade, instituições de pesquisa, sindicatos, entidades patronais, entidades parlamentares, órgãos de fiscalização e controle etc) na etapa seguinte, que pode ser uma conferência estadual ou regional.

Para Cristiane Parisoto, do FME-Ipê, é importante que essas pessoas escolhidas estejam preparadas e tenham conhecimento tanto do Documento Referência quanto das questões que afetam o município. “As pessoas que vão para as conferências como delegadas têm que estar preparadas. Precisa ser alguém que esteja por dentro, que compreenda e que consiga defender as reivindicações e propostas do município. Se não, vai só legitimar uma coisa que, na verdade, não é participação”, defende.

“O documento final é muito importante, porque orienta não só o MEC, mas também o Congresso, o sistema de justiça etc. É um documento que é entregue aos três poderes, e cujo grande guardião é o FNE. Mas o legal da Conae também é o processo, porque nele se constroem alianças, se conhece pessoas, se faz pontes. Os planos só serão implementados se a gente tiver mais gente comprometida com eles”, defende Denise Carreira. 

Ainda tenho dúvidas específicas com relação ao meu município. O que posso fazer?

Conversar e trocar experiências. Essa é a melhor forma de conseguir respostas, descobrir novas ideias e adaptar processos para a realização da conferência de educação em cada município. E não é preciso ir muito longe para fazer isso: o diálogo entre as cidades, seja por meio da Secretaria, do Conselho ou dos Fóruns (municipais, intermunicipais e estadual), sobretudo de localidades vizinhas, pode contribuir bastante nesse processo. Principalmente porque conhecem a região e podem muitas vezes ter a mesma características e dúvidas.

Um bom exemplo é o Grande ABC, na região metropolitana de São Paulo, que inclui as cidades de Santo André, São Caetano, São Bernardo do Campo, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. “Em nossa região do Grande ABC, o Fórum Regional de Educação foi muito importante. Porque todas as entidades se reuniam no Fórum Regional, então as dúvidas eram tiradas de lá. Por exemplo, uma professora que trabalha comigo em Santo André levou algumas das experiências na construção e nos encontros de preparação da Conae de Santo André para Ribeirão Pires, cidade vizinha de onde ela é”, disse Roberta Henriques Ragi Cordeiro, professora de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e membro do Fórum Municipal de Educação de Santo André (SP).

Vale procurar entidades dos movimentos em defesa da Educação, como Fóruns de Educação Infantil, Fóruns de EJA, União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação (Uncme) e União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).

Também é possível falar com o Fórum Nacional de Educação (FNE) ou o seu coordenador, Heleno Araújo, que está disponível para ajudar os fóruns municipais que tenham dúvidas a serem discutidas. Os contatos são (61) 2022-7852/7965/7853/7852/8758/7854/9417 ou pelo e-mail fne@mec.gov.br

As intervenções do governo federal no FNE

Ainda que na lei do PNE esteja estipulado que a coordenação das Conferências de Educação é de responsabilidade do Fórum Nacional de Educação (FNE), medidas tomadas pelo governo federal intervieram nesta questão. O decreto do dia 26 de abril de 2017, que convoca a 3ª Conae, entre outras medidas, revoga o decreto anterior (de 9 de maio de 2016), alterando o cronograma da Conferência, passando a coordenação dela do FNE para a Secretaria Executiva do MEC e restringindo as contribuições da Conae para a elaboração da política nacional. E uma portaria publicada pelo MEC no dia seguinte (27 de abril) altera a composição do FNE, desconsiderando o seu regimento interno e reduzindo a participação de representação da sociedade civil.

“Nós temos um problema sério com a questão da democratização desse processo, porque com o decreto e a portaria já ficou claro que a posição do governo é totalmente antidemocrática, que destitui o Fórum Nacional de suas atribuições principais com relação à Conae”, explica Roberta Henriques Ragi Cordeiro, professora de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e membro do Fórum Municipal de Educação de Santo André (SP).

Diversas entidades da sociedade civil se manifestaram contra essas intervenções do governo federal tanto no Fórum quanto no processo da Conae 2018. O FNE enviou ofícios pedindo explicações e a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) encaminhou recomendação ao ministro da Educação, Mendonça Filho, para que seja revogada a portaria que altera o Fórum.

“Hoje Conae, para o MEC, é cumprir com uma agenda, mas quem dita as regras é a Secretaria Executiva do MEC. Na nossa concepção, Conae significa ter um FNE que seja um fórum de estado e que tenha autonomia, capilaridade, capacidade de monitoramento e acesso a dados. O MEC é um apoiador, e que também compõe esse Fórum”, esclarece Sumika Freitas, representante do Fórum de Educação Infantil no Fórum Municipal de Educação de Vitória (ES).

Os desafios para a Conae 2018

Apesar desses esforços, o decreto e a portaria seguem vigentes – o que tem afetado o calendário e a ação de muitos fóruns municipais de educação na preparação para as conferências municipais. É o caso de Ipê (RS), que segue sem data, e Vitória (ES), que acabou por adiar a sua conferência municipal para setembro – com a organização de uma audiência pública para debater o PME em junho e uma pré-conferência em julho. Porém, há muitas cidades que estão mantendo esse processo, como a capital paulista e o Grande ABC, na região metropolitana de São Paulo.

Se a própria realização das conferências já será um grande desafio, para Roberta o maior desafio para a Conae 2018, e para a Educação brasileira, é a questão do financiamento. “Com a ‘PEC do Fim do Mundo’ [Emenda Constitucional 95/2016, que coloca um teto para os gastos públicos], o que a gente tem, na verdade, é o estacionamento dos planos municipais, estaduais e do Plano Nacional de Educação. Aqui em Santo André, por exemplo, a gente tem uma meta que é sair dos 25% do orçamento da cidade em investimento em Educação para 30%, no final da vigência do Plano, em 2024. Isso está praticamente inviabilizado, por conta do cenário local, mas também nacional”, diz.

Denise Carreira também chama atenção para o contexto de retrocesso e para a importância de defender esses planos. “Os planos estão sendo esvaziados, atacados. O espírito dessa Conae 2018 é aumentar as alianças em prol dos planos e avançar na sua implementação, em um contexto de ajuste fiscal, de retrocesso”, explica.

“O que eu percebo é que não há muito interesse de quem está no poder agora para que a população realmente participe. Temos que entender que esse direito foi sendo conquistado ao longo de muito tempo. Então é o momento de resistir, de lutar para que a gente possa ser ouvido, possa participar e para que a nossa vontade prevaleça”, diz Cristiane Parisoto, coordenadora-geral do Fórum Municipal de Educação de Ipê (RS).

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“A Conferência deve avançar em propostas que busquem uma sociedade mais democrática, justa e igualitária”, afirma ministro

Reportagem: Stephanie Kim Abe
Edição: Cláudia Bandeira